"Acreditando na magia que existe na educação! Buscando ser a mudança que quero ver no mundo"!
CONTATOS: sunamitamagalialbuquerque@hotmail.com /sunamitanativaoliveira@gmail.com

terça-feira, 14 de abril de 2009

OS PRIMEIROS HABITANTES DE GRAVATÁ

Os Fulni-ô




Os Fulni-ô (palavra que significa “ povo que vive ao lado do rio”, em português) têm seu local de moradia no município de Águas Belas, junto à cidade de mesmo nome, a uma distância de 237 km, do Recife, capital do Estado de Pernambuco.
A reserva indígena dos fulni-ô possui uma área de, aproximadamente 11.000 hectares e tem particularidades que a distinguem das outras existentes no Estado: enquanto as demais comunidades vivem no meio rural, a reserva Fulni-ô tem no seu centro geográfico a cidade de Águas Belas, sede municipal, com uma população de aproximadamente 8 000 habitantes. A reserva é ainda cortada por uma rodovia federal, a BR 423.Somente a partir do século passado pode-se falar com segurança da história dos Fulni-ô e em particular ao que se refere às terras que ocupam. De como viviam em épocas anteriores, sabe-se, ou apenas pode se presumir. Segundo alguns estudiosos, os índios Fulni-ô, também conhecidos por Carnijó ou Carijó, seriam possivelmente remanescentes de uma tribo cuja denominação mais antiga era a de Carapató. Não teria sido este o único grupo indígena a ter seu nome mudado, e com esta primeira identificação ocupavam terras na Serra do Comunati, no município de Águas Belas, onde foram catequizados de 1681 a 1685. Também se estabeleceram por longos períodos nos locais onde posteriamente se desenvolveram as cidades de Caruaru, Gravatá, Taquaritinga e Brejo da Madre de Deus. Referencias mais detalhadas sobre estes índios, já denominados Carnijó, surgirem a partir de seu aldeamento num único local, em Águas Belas. Com direito a duas léguas em quadro, concedidos por Carta Régia de 5 de junho de 1706, a aldeia de Águas Belas ou de Ipanema reunia, em 1749, 322 índios, havendo entre eles um missionário do hábito de São Pedro. Pouco mais que um século depois, em 1855, a população da aldeia era de 738 indivíduos em cujas terras viviam também arrendatários brancos ocupando as melhores áreas das férteis terras indígenas. Já anteriormente os mesmos índios haviam cedido ilegalmente parte de sua propriedade ao patrimônio da igreja, sendo os terrenos arrendados pelo pároco a uma população branca que construiu suas casas no entorno da igreja e a partir de onde se desenvolveu a cidade de Águas Belas. Foi também na mesma época que surgiram os primeiros incidentes entre índios e invasores de suas terras. Com o crescimento do povoado dentro de terras indígenas e as crescentes investidas dos brancos culminaram, no ano de 1860, em conflitos tão graves que o governo imperial, por aviso de 4 de novembro de 1861, determinou a extinção da aldeia. Esta medida, entretanto, não teve execução, e no ano seguinte, novas orientações foram dadas ao governo provincial para a distribuição de lotes de terras aos indígenas.Somente a partir de 1877 foi efetivada a demarcação das terras. Dados existentes no Arquivo Público de Pernambuco confirmam, com aproximadamente, os 11 000 ha. De superfície da atual reserva, que foram, naquela época, divididos em 427 lotes sendo 320 de aproximadamente 30ha e 107 de tamanhos diversos. Dos primeiros, uns números de 140 foram distribuídos às famílias indígenas e demarcou-se também a área de aproximadamente 80ha pertencentes à igreja e localizada quase no meio da reserva.
Não cessaram, entretanto, os conflitos e por volta de 1916, era tão grande a hostilidade entre os Fulni-ô e a população de Águas Belas que cresceu em redor da igreja, que os índios foram compelidos a se afastarem para um quilometro adiante do antigo aldeamento onde estão instalados até hoje.Não existe escritura das terras, mas a forma como foi dividida permanece inalterada segundo planta existente no Posto Indígena localizado na aldeia. Do mesmo modo, os índios mantiveram o costume de arrendar suas terras, o que permitiu a permanência das mesmas famílias, durante anos, na área de domínio indígena. Afora o relacionamento pouco amistoso entre os índios e a população de Águas Belas, a presença dos arrentadários parece começar a se constituir em fonte de atritos. Entre muitos das famílias indígenas entrevistadas, sente-se o desejo de tornar a ocupar os lotes arrendados, o que tudo indica, não é do interesse dos civilizados.
A aldeia, que abriga uma população de aproximadamente 4 000 índios, tem caráter essencialmente urbano e é praticamente ligada à cidade, servindo-se inclusive dos seus sistemas de abastecimento de água e eletricidade. Não existem cercas ou qualquer outra forma de delimitação da aldeia, e apenas um riacho a separa da malha urbana de Águas Belas. Até a década dos trinta, os Fulni-ô faziam uso exclusivo da palha de ouricuri na feitura de suas casas. A partir da intervenção do Serviço de Proteção ao Índio – SPI, com a fundação do Posto Indígena Dantas Barreto, a aldeia ganhou o traçado urbanístico atual, e certamente perdeu qualquer traço cultural por ventura naquela época ainda existente quanto ao modo de habitar. Além do material empregado, os entrevistados nada sabiam a respeito da forma das antigas moradias. Atualmente, nenhum traço resta nas edificações que se possa identificar como fruto de uma civilização indígena. A aldeia é composta de habitações individuais de taipa ou alvenaria semelhantes as das populações pobres do Nordeste, tanto no tamanho quanto no programa, nos materiais empregados e na aparência.
A disposição das casas e o traçado das ruas fazem da aldeia uma vila popular anexa à cidade de Águas Belas. O seu centro, um grande espaço retangular desprovido de qualquer tratamento urbanístico – não há meio-fio, pavimentação ou arborização – é definido longitudinalmente por dois alinhamentos de casas e limitado nos extremos, por três edificações de porte: ao sul, uma igreja católica, e ao norte, o Posto Indígena e a escola local. Nestas ruas principais, nota-se que a maior parte das casas foram ampliadas, e novas materiais, em substituição à taipa e à palha, foram empregados conforme as posses do morador. A maioria é de alvenaria com piso de cimento, mas à medida que se afasta do centro aparece com mais freqüência pequenas casas de taipa de chão batido e quase sempre em péssimo estado de conservação.
Na maior parte das casas, segue-se o modelo tradicional popular de planta retangular com os quartos alinhados de um lado e, no lado oposto, dispondo-se a sala e cozinha através dos quais é feita a circulação desde o terreiro até o quintal. A descrição é de uma edificação estritamente residencial, mas é neste mesmo espaço que se desenvolve o trabalho artesanal que ocupa a maior parte dos membros das famílias. Apenas duas casas visitadas tinham sido reformadas para a criação de local de trabalho de trabalho e venda dos produtos. Nas demais, o trabalho é desempenhado na sala ou na cozinha. Não há local específico para o armazenamento do material de trabalho, e a secagem da palha usada é feita no terreiro de chão varrido. Não existem estabelecimentos comerciais na aldeia com a exceção de uma pequena mercearia e das lojas de artesanato. O comércio e a feira semanal de Águas Belas atendem aos moradores da aldeia. Além da aldeia, a comunidade tem ainda na reserva um segundo local de moradia, no qual permanece durante os três meses dedicados aos rituais do Ouricuri. Esta povoação, de uso temporária e também chamada Ouricuri, dista cerca de 6 km da aldeia, sendo ligada a esta por precária estrada de terra. Dado o seu caráter de moradia temporária, até alguns anos atrás toda a comunidade se abrigava em pequenas casas de palha de ouricuri refeitas a cada ano. Segundo observações do cacique, o consumo da palha – no artesanato e na feitura das casas tanto na aldeia quanto o Ouricuri – fez com que o material se tornasse raro nas imediações, obrigando os indígenas a caminhadas cada vez mais longas em busca das palmeiras hoje praticamente inexistentes na reserva.
Por conta da escassez e da pequena durabilidade da palha, as casas passaram a ser construídas em taipa. Esta é a técnica construtiva predominantemente usada até oito anos atrás, sendo agora feitas por alvenaria. Aparentemente nenhum plano ou hierarquia determinou a disposição das moradias no local; não há uma rua principal, e o local de reunião da comunidade está situado na periferia do povoado. Extremamente zelosos quanto aos segredos que envolvem o Ouricuri, os indígenas não deram esclarecimentos sobre a forma inusitada, semelhante a um labirinto, do povoado. Sabe-se, entretanto, por informações vagas, que o traçado urbano do Ouricuri e a localização das moradias é rigidamente determinado pelos clãs a que pertencem as famílias. O ajuntamento de casas e o traçado das ruas pareçam funcionar como uma barreira à penetração de estranhos no local dos rituais, este a própria razão da existência do povoado. Trate-se de um espaço aberto relativamente pequeno, onde existem dois galpões toscos com cobertura de telhas montada em paus fincados no chão. Entre os dois abrigos está o juazeiro sagrado do ritual do Ouricuri. As habitações são extremamente precárias e de dimensões reduzidas. Supõe-se que divisões internas são poucas ou inexistentes, como o são também as aberturas para ventilação e iluminação. Não dispõem de quintal e têm apenas um acesso e uma ou duas janelas na fachada principal; as paredes são quase sempre desprovidas de reboco e os pisos são de terra. Considerando-se o número de pessoas a serem abrigadas, o espaço disponível, além de inadequado, e insuficiente. Entretanto, durante o tempo de permanência no povoado, pelo menos uma parte da população masculina dorme em torno do juazeiro sagrado, nos dois galpões existentes ou ao relento. Supõe-se, então, que as casas são ocupadas apenas pelas mulheres e crianças.A economia da comunidade Fulni-ô baseia-se quase que exclusivamente na agricultura embora a área da reserva indígena não seja extensivamente explorada. A terra e o seu uso pelo Fulni-ô têm significados bastantes distintos das outras comunidades indígenas de Pernambuco. Em primeiro lugar, esta é a única reserva demarcada pelo S.P.I. cujas terras foram divididos e doados à famílias indígenas sob a forma de lotes individuais, com cerca de 30 hectares cada. Entretanto, como não foi adotado nenhum sistema de redistribuição que acompanhasse a dinâmica do crescimento familiar, a simples passagem da posse do lote, de pai para filho, gerou a existência, hoje, de índios sem terra, em detrimento de outros com posse de vários lotes. A maior parte dos proprietários de lotes não cultiva a área de que dispõe, preferindo arrenda-la a terceiros inclusive a outros índios da mesma comunidade. O sistema de arrendamento foi instituído pelo antigo S.P.I sendo ainda hoje feito legalmente e por tempo determinado com o controle da Chefia do Posto Indígena.
Os lotes arrendados se prestam tanto para o plantio de roçados como para pastagem do gado. A maior parte dos posseiros está instalada no local há muitos anos pela renovação sistemática do contrato de arrendamento. Desta forma, uma população de aproximadamente 6 000 civilizados vive em terras indígenas implantando infra-estrutura e benfeitorias que sugerem um nítido caráter de permanência por tempo indeterminado. Este fato permite antever um grave problema entre os índios e estes brancos, desde que já se faz sentir faz na comunidade indígena, o desejo de retomar a posse das suas terras. Os lotes arrendados aos civilizados são aqueles localizados na região mais fértil da reserva, especialmente onde a água é perene. As culturas principais são feijão, milho, macaxeira e uma variedade considerável de frutas, podendo ser observada ainda alguma atividade pecuária. Pelo arrendamento desses lotes, o proprietário da terra recebe anualmente a quantia de R$ 150,00 por ha. Enquanto os lotes usados para pastagem são arrendados a R$ 100,00. Pelo exposto, deduz-se que uma família indígena percebe cerca de R$ 312,50 mensais por lote agricultável de 30 ha. (preços de janeiro de 2002). Como a distribuição da terra é atualmente bastante irregular tanto em relação ao número de lotes por família como na qualidade do solo e ainda considerando que nem todos os índios têm lotes arrendados, conclui-se que a renda familiar é também desigual. Isto se torna mais evidente quando se observa a qualidade das habitações, móveis e utensílios domésticos e outros parâmetros relacionados com a renda familiar.
As terras férteis sendo usadas preferencialmente para arrendamento, restam aos indígenas as áreas mais áridas que só possibilitam uma agricultura de subsistência. Vale ressaltar que a expressão “terra fértil” é usada aqui para nomear as porções de terra mais próximas aos mananciais d’água e em particular à faixa de terra na periferia norte da cidade de Águas Belas, no “pé de serra”. Fatores como condições climáticas desfavoráveis, técnicas rudimentares e uma aparente inaptidão para o trabalho agrícola, além da falta de assistência sistemática para o desenvolvimento da agricultura, estão entre as causas mais evidentes para a ociosidade de grande parte das terras indígenas.
Informações obtidas através contatos na aldeia e na chefia do Posto não foram suficientes para se ter uma idéia da importância da produção agrícola, embora se saiba que há uma comercialização incipiente dos produtos pelos indígenas. Pequenos projetos agrícolas são tentados pela FUNAI quando há perspectivas de chuvas na região e, segundo informações dos índios, a substituição de vários arados de tração animal por um único trator, numa tentativa da FUNAI de dinamizar a agricultura, nenhum melhoria proporcionou à atividade agrícola.Uma série de atividades de baixa remuneração são também desempenhadas pelos índios para complementar, a declarada baixa renda familiar. Entre estas atividades o artesanato tem grande destaque. Embora não tenha sido possível uma avaliação incipiente dos produtos, a importância da atividade é evidente pelo número considerável da população que a ela se dedica. O artesanato desenvolvido pelos Fulni-ô se restringe basicamente ao uso da palha de ouricuri, como já foi referido, é atualmente escassa, sendo sua aquisição, cada dia mais difícil e onerosa, freqüentemente através de fornecedores do Estado de Alagoas.
A participação masculina no trabalho é mais restrita à coleta da matéria prima, enquanto as mulheres se ocupam do tratamento do material a da elaboração dos objetos. Não existe local específico para o desempenho do trabalho; tanto a cozinha como a sala ou a calçada é usada como oficina, notadamente por adultos sentados no chão. Entre outros comentários, alguns artesões citaram a falta de interesse atual dos jovens pela atividade artesanal, como também a necessidade de um esquema que possibilite um melhor escoamento da produção. A comercialização é feita na feira de Águas Belas, nos sábados, ou na própria aldeia na residência dos artesões, dos quais pelo menos quatro tiveram as salas transformadas em pequenas lojas. Atende-se também a encomendas volumosos as mas esporádicas de compradores do sul do País, ou tenta-se a venda quando alguns caboclos vão ao Recife. Quanto à qualidade dessa produção artesanal, pouco diversificada e pouca criativa, destaca-se apenas o trançado de palha ou de fibra em alguns tipos mais elaborados de esteiras e tapetes. Entretanto, das comunidades indígenas visitadas, é sem dúvida entre os Fulni-ô que o artesanato tem maior expressão. Embora não tenha sido possível uma avaliação do valor de produção, a importância da atividade é evidente pelo número considerável de pessoas que a ela se dedica. O artesanato é a principal fonte de complementação da renda familiar que, apoiando-se nas declarações obtidas, é fundamentada no arrendamento das terras. Mesmo sem um conhecimento preciso da capacidade aquisitiva atual dos Fulni-ô, pode-se afirmar com certa segurança que nas duas últimas décadas houve uma melhoria sensível na qualidade de vida da comunidade. Esta afirmativa é apoiada na análise de pelo menos um levantamento realizado entre os indígenas na década dos sessenta. Segunda esta fonte, em 90% das habitações, o mobiliário era o que havia mais rudimentar, constando apenas de um banco, de uma ou duas camas de vara, esteiras de palha e um pilão. Para várias moradias, hoje, esta descrição de extrema pobreza ainda é válida; no entanto, para a maioria, pode-se observar uma melhoria considerável, destacando-se um pequeno grupo com um padrão de vida acima da média da aldeia. Nas casas desta minoria são encontradas com freqüência móveis de fórmica e estofadas de plástico nas salas, camas do tipo patente nos dormitórios e raras geladeiras. Nas cozinhas, o fogão rudimentar de trempe perde para o de alvenaria, usando-se lenha ou carvão como combustível.
A aldeia possui até mesmo alguns aparelhos de televisão como sinais de ascensão econômica de algumas famílias. Entretanto, observa-se um nivelamento quanto aos aspectos de higiene e saúde, determinando principalmente pela precariedade do abastecimento de água à população tanto na aldeia quanto no Ouricuri. A aldeia é ligada ao sistema público de captação e distribuição de água que serve à cidade de Águas Belas. Este sistema, entretanto, não atende satisfatoriamente sequer a cidade, e a aldeia, aparentemente pro conta da topografia local, é um das partes mais afetadas. Apesar desta infra-estrutura, de fato, não existe atualmente água na aldeia, estando o único chafariz público desativado há muito tempo. Aliando-se a falta de água ao baixo poder aquisitivo da população e, possivelmente, a um fator puramente cultural, raras são as casas que dispõem de instalações hidráulicas e sanitárias.
Existem alguns sanitários instalados pela FUSAM, precários e pouco utilizados pela população, e a água potável consumida é coletada em qualquer torneira disponível na cidade e transportada em latas na cabeça até a aldeia. Para higiene corporal e lavagem de roupa, a comunidade utiliza-se do riacho que separa a aldeia da cidade. A água, entretanto, é altamente poluída, pois ao atravessar a cidade, o riacho recebe detritos urbanos de toda ordem. No Ouricuri, mesmo desconhecendo-se o comportamento da população durante sua permanência no povoado, é evidente a precariedade das condições sanitárias. Este período anual compromete seriamente a saúde da comunidade que, segundo um declarante, “volta tudo doente para a aldeia”. O maior foco de doenças parece estar situado na única fonte de abastecimento de água local – um barreiro poluído de pequena capacidade de armazenamento – que obriga a população a levar água em latas desde a cidade, utilizando-se qualquer meio de transporte disponível. Embora apontado pela população como sendo o seu problema mais grave, à qualidade da água pode-se acrescentar as condições precárias das moradias como motivo para as doenças que acometem quase todos – gripe, doenças da pele e dos olhos e verminoses. Apesar de classificada como uma “comunidade urbana” e, portanto mais vulnerável à perda dos traços da sua cultura, os Fulni-ô surpreendem o visitante exatamente pela manutenção de elementos importantes do seu patrimônio cultural, ao contrário do que ocorre em outras comunidades visitadas
Além da convicção de serem índios, fato comum a todos os remanescentes indígenas de Pernambuco, os Fulni-ô mantêm o Yaathé como dialeto falado. Sendo bilíngües, reservam o idioma português mais para a comunicação com estranhos, e quando entrevistados em grupo, freqüentemente pareciam esquecer a presença dos pesquisadores e conversavam entre si na língua tribal, emitindo opinião somente após a tradução ou comentário feito por outro indígena presente. Algumas crianças, entretanto, para desagrado dos pais, atualmente reagem ao uso da língua tribal. Por este motivo, os adultos demonstravam entusiasmo com a adoção da língua Yaathé no currículo escolar.Os Fulni-ô mantêm-se fies ao culto do Juazeiro Sagrado, e toda a comunidade se desloca para o povoado chamada Ouricuri onde permanece durante os meses de setembro, outubro e novembro, cercados inclusive de certo aparato de segurança para evitar a presença de brancos curiosos, responsáveis por relatos fantasiosos na região a respeito dos rituais. Ao contrário dos desprendimentos com que demonstram o uso da língua nativa, os indígenas são extremamente reservados quanto ao cerimonial. Informaram apenas sobre a participação exclusiva da população masculina, não sendo permitida a presença das mulheres, em qualquer época do ano, no local dos rituais, isto é, o terreiro em torno do Juazeiro Sagrado. O culto tem tal importância para os Fulni-ô que, segundo declarações do Cacique, até mesmo alguns indígenas não mais residentes na aldeia deslocam-se desde o Recife ou São Paulo por ocasião do cerimonial.
Outros elementos culturais podem ser observados ou meramente citados à falta de conhecimento mais aprofundado dos usos e costumes dos Fulni-ô. O sincretismo religioso originado do trabalho de catequese por missionários e da adoção de crenças comuns na cultura brasileira fazem parte dos Fulni-ô, católicos praticantes, que não raro adornam suas casas com estampas e imagens de lemanjá e São Jorge, enquanto cultuam o Juazeiro Sagrado.
Sabe-se, por referências bibliográficas, que a população é dividida em clãs hierarquizados, mas de sua organização político-social sobressaem apenas as figuras do cacique e do pajé cuja atuação, supõe-se, é mais forte nos cerimoniais. Ao nível da comunidade e de suas relações com a sociedade envolvente, aquelas autoridades tradicionais assumem hoje a função de meros intermediários entre a comunidade e o chefe do posto da FUNAI.

Fonte: http://www.geocities.com/pipermusic/fulnibr.html
Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails